terça-feira, 18 de julho de 2017

Comboniano nomeado Bispo auxiliar na África Central

O Vaticano anunciou na terça-feira, 11 de julho, que o Santo Padre nomeou o padre Jesús Ruiz Molina bispo auxiliar de Bangassou.

O P. Jesús tem 58 anos e era até agora pároco de Moungoumba e coordenador diocesano da pastoral de catequese na diocese centro-africana de M’Baiki.

Nasceu em La Cueva de Roa, Burgos e foi ordenado em 1987.

Trabalhou em Espanha (animação missionária, formação e Leigos Missionários Combonianos-LMC), Chade (pároco e provincial) e República Centro-Africana (pároco, coordenador de pastoral e conselheiro provincial).

segunda-feira, 17 de julho de 2017

LIVRO DE RECLAMAÇÕES NAS IGREJAS Frei Bento Domingues, O.P.


1. Li, não sei onde, que o Vaticano anda preocupado com a falta de exorcistas em Portugal. Ao comentar essa notícia com um amigo, ele acrescentou logo que, onde faltam, de certeza, é no próprio Vaticano.

Não desejo voltar à conversa dos pseudo-preocupados com o Papa: está velho para poder realizar as reformas em que se meteu e a revolução que tentou desencadear não é tão irreversível como alguns supõem e desejam. Os que se julgam mais realistas e radicais acrescentam: não basta a Bergoglio ter encontrado um refúgio fora dos antigos aposentos dos Papas; ou fecha o Vaticano para longas obras ou continuará a espantar-se com surpresas de onde menos seriam de esperar.

Há, de facto, rumores de poucas vergonhas, que estão a passar para a imprensa, de que os infiltrados, velhos e novos, são como as baratas: quando se abrem as gavetas, desaparecem rapidamente, mas não morrem. Esperam sempre uma nova oportunidade. Haverá alguma empresa capaz de eliminar, de forma eficaz, esses parasitas da chamada Santa Sé? Ou será que os diabos do Vaticano já se riem da fábrica de ritos dos seus exorcistas?

Tudo isso pode ter sentido, mas não vai além do anedotário romano. Como diz o Papa, os cristãos de parlatório, que conversam sobre como andam as coisas na Igreja e no mundo, sem paixão por transformar as suas vidas, continuam a flutuar nas suas espreguiçadeiras enquanto debitam sentenças sem consequências.

Ele próprio, ainda no mês passado, lembrou aos novos cardeais que o caminho é seguir Jesus que os chama a olhar para a realidade, não se deixando distrair por outros interesses, por outras perspectivas: não vos chamou para vos tornardes «príncipes» na Igreja e para vos «sentardes à sua direita ou à sua esquerda». Chama-vos para servir como Ele e com Ele[1].

Quem seguir de perto as intervenções do Papa Francisco – homilias, discursos, cartas pastorais, etc. – fica espantado com o grande livro de reclamações, onde vai escrevendo, em nome do Evangelho, o que exige dos padres, dos bispos e dos cardeais.

Luta por um clero não clerical, confessando-se membro de um povo consagrado a Deus e ao serviço de toda a humanidade pelo sacerdócio comum a todos os baptizados. A função do clero não é a de mandar na Igreja de todos, mas a de ajudar a desenvolver a vocação de todos à santidade. Os padres, os bispos, os cardeais, o papa, centrados em si mesmos e nos seus títulos de carreira eclesiástica, tornam-se traidores da Igreja.

Bergoglio, no dia em que deixasse de lhes pedir contas tornar-se-ia conivente dessa traição. Não é por acaso que ele, em vez de se proclamar infalível e Santo Padre, se confessa pecador e pede a oração dos fiéis.

2. Para quem se reconhece na liderança deste Papa, mas perde o sentido da sua própria responsabilidade na reforma actual e concreta de dioceses, paróquias, movimentos, congregações religiosas, a pretexto de que o governo da Igreja, ao mais alto nível, está bem entregue, ainda não percebeu nada do desígnio de Bergoglio.

Quando invoco um livro de reclamações nas Igrejas, não é para registar o descontentamento com o funcionamento da cúria diocesana, das secretarias, dos cartórios e dos conselhos paroquiais, da celebração dos mandamentos e da organização da catequese. Por mais importante que seja essa burocracia e o seu bom funcionamento, estaríamos, apenas, no âmbito do que se deve exigir a qualquer outra organização e que a Igreja não pode dispensar. Se assim fosse, a vida eclesial só precisaria de recorrer às escolas de gestão.

O que pretendo sugerir com o livro de reclamações é uma forma de responsabilização de toda a comunidade. Não é o registo da má-língua. Quem reclama deve estar empenhado na mudança, na reforma da paróquia ou do movimento. Deve reclamar, pois todos os fiéis têm direito à celebração da Palavra, da Eucaristia e dos outros Sacramentos, a não confundir com a leitura escalonada dos livros litúrgicos e de homilias intragáveis ou apenas sofríveis.

Não se pode esquecer que, hoje, em Portugal, as assembleias litúrgicas são compostas por pessoas com muitas competências profissionais e culturais que nunca tiveram oportunidade de oferecer os seus préstimos para a festa dominical. Outras foram-se afastando. Não conseguem suportar a falta de qualidade das celebrações, a começar pelas homilias e acabar nos cânticos: não tenho nada a ver com aquilo nem aquilo tem nada a ver comigo. Repete-se a cena evangélica: porque estais aí o dia todo sem fazer nada? Porque ninguém nos convocou.

 O livro de reclamações deve registar que há muitas pessoas que podem, querem e devem contribuir para que as celebrações recolham as alegrias, as esperanças, as preocupações, as frustrações e os desejos da assembleia celebrante, mergulhando-a na Palavra, na Eucaristia, no canto, na oração transfiguradoras do passado. O primeiro dia da semana é o Domingo, o renascer da esperança.

3. O livro das reclamações não regista apenas o que falta. Reclama, de cada um, o que pode dar à comunidade para que ela forme pessoas responsáveis pela sociedade, vendo o mundo a partir dos excluídos e não dos instalados. A celebração tem de formar uma Igreja de saída e não um concentrado de beatos e beatas, preocupados em reconduzir as celebrações e as devoções ao estilo pré-Vaticano II. Não passam de sabotadores do movimento desencadeado pelo Bispo de Roma.

Pelo que foi dito, não devia existir nenhum grupo, movimento ou paróquia, sem um livro de reclamações para manter o bom desassossego, a não confundir com o registo dos azedumes, das invejas e, sobretudo, das lutas pelo poder, em nome do serviço, terra de oportunistas.

As comunidades cristãs devem ser um exemplo de perdão e de misericórdia, o que parece incompatível com um livro de reclamações, caderno de encargos, exigências e avaliações.

Não esqueçamos, porém, o que escreveu Tomás de Aquino: Iustitia sine misericordia crudelis est, misericordia sine iustitia mater est dissolutionis. A justiça sem misericórdia é cruel, a misericórdia sem justiça é a mãe da degradação[2].

Talvez haja quem pergunte: como realizar esse livro de reclamações?

A imaginação humana e cristã tem sempre alguns recursos.

16.07.2017



[1] Cf. Alocução do Papa Francisco, 28 de Junho de 2017.
[2] Cf. S.Tomas Aquinas, Expositio in Matthaeum S.Thomas Aquinatis Catena Aurea in quatttuor Evangelia. Roma-Taurini,vol. I, 5, 7

sábado, 8 de julho de 2017

Ecos do Coração de Viana....UASP

A UASP – União das Associações dos Antigos Alunos dos Seminários Portugueses, em conjunto com a ASSAB – Associação dos Antigos Alunos dos Seminários Arquidiocesanos de Braga, gizou uma proposta de descoberta do Minho, na parte mais urbana do Alto Minho, que se cumpriu no último fim-de-semana.
​ (Continua)


A organização tem motivos de satisfação, não só pelo elevado número de adesões ao projecto, mas também pelas reacções exteriorizadas, pelas mais variadas formas, até poéticas, pelos participantes.
www.uasp.pt | Faceboock.com/uasp

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Ecos dos AACFranciscanos …

"Cumprindo a tradição os antigos alunos franciscanos realizaram, no último sábado de Maio, o seu encontro anual, no então Colégio de Montariol-Braga, primeira casa de formação no longo percurso trilhado pelos candidatos ao sacerdócio na OFM. É pela saudade, amizade e gratidão e, ainda, pela feliz oportunidade de reencontrarmos na fraternidade do Convento de Montariol alguns dos professores e prefeitos de várias gerações que aqui regressamos….​ (Continua)


Pe.Alfonso Cigarini - 60 anos de sacerdote

VISEU - MAIO DE 2014

Estimados Amigos, sou um ex-aluno Comboniano, sou português, sou amigo do Padre Alfonso Cigarini, que está em S.José do Rio Preto, também sou amigo do P.Xico Lenzi e do P.Carlos Naldi, na passada Quinta Feira, dia 15 de Junho o P. Alfonso celebrou 60 anos de Sacerdote, é uma singela homenagem que eu lhe quero prestar aqui e, partilhar com todos vós, uma vez que no próprio dia, a fiz chegar ao mesmo, a qual foi lida pelo actual superior da Comunidade Comboniana de S. José de Rio Preto - Brasil ( Padre Xico Lenzi), ( Casa de Repouso )
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Tu és Sacerdote para Sempre
Quinta Feira (15), é comemorado os 60 anos de ordenação sacerdotal de Padre Afonso Cigarini, actualmente em S.José de Rio Preto – Brasil ( casa de repouso ).
“O homem é do tamanho do seu sonho” disse um filósofo grego; isto se aplica ao Padre Alfonso Cigarini.
A seis meses de completar 92 anos de vida, e há 50 anos que o vejo sonhar grande, não por orgulho ou vaidade, mas por amor a Deus e às almas. Não faltou jamais em sua vida, um dia sequer, o amor apaixonado ao Senhor Eucarístico; à sua Mãe Santíssima, e a devoção aos Anjos e Santos.
Nosso querido Padre Afonso, teve a ousadia e felicidade de ensinar há Igreja que é possível realizar a Obra de Deus com generosa doação.
Vive o espírito de Comboni, como ninguém, ainda apesar da sua idade fala na Ásia, tendo travado uma luta sem tréguas, para o deixarem partir para a Missão
Conheço-o desde Viseu, ano de 1966, sempre com a mesma dedicação, o mesmo ardor, a mesma vontade de servir a Deus e aos homens.
Estive com ele em Uruçui-Piauí, Nordeste do Brasil, ao tempo construía-se a nova Igreja Matriz, Seu nome ficará perpetuado naquela terra, para sempre.
“Se tu creres, verás a glória de Deus” (Jo 11,40). Por causa da fé deste Homem, nós a vimos e estamos vendo a cada dia.
Entre muitas qualidades desse gigante de Deus, gostaríamos de destacar sua fé inabalável, operativa, dom do Espírito; o seu amor apaixonado por Sua santa Palavra, a confiança depositada em quem trabalha com ele, a bondade e experiência do seu coração de Pai, o desprendimento total de si mesmo, o grande amor a Deus e a todos, e sobretudo o imenso zelo apostólico que o devora.
O que a Igreja liga na terra, Deus liga no céu (cf. Mt 16, 16; 18,18). Assim, Padre Afonso Cigarini, não seremos apenas nós aqui na Terra a celebrar, mas também o Céu. Haverá júbilo no Céu entre os Anjos de Deus. E na presença deles a Virgem Mãe de Deus e dos Homens. Os Santos cantarão louvores a Deus por sua vida e por seu fecundo sacerdócio de 60 anos.
Muita Paz, Saúde, Força e muitos anos de vida, ao nosso querido Padre Afonso Cigarini, Pastor, Padre, Missionário e Amigo.
( Ulisses Pereira)

terça-feira, 4 de julho de 2017

Noviciado de Nampula dá os primeiros frutos

"O dia 24 de Junho de 2017 ficará gravado na história comboniana de Moçambique. Tendo como pano de fundo o 150º aniversário da fundação do Instituto, o 70º aniversário da chegada dos combonianos a Moçambique e o 25º aniversário da morte do Ir. Alfredo Fiorini, os primeiros seis noviços do noviciado de Nampula fizeram a sua primeira profissão. Durante os dois anos de noviciado, os noviços foram acompanhados pelos formadores P. Leandro Araya Leonardo, costa-riquenho, e P. José Júlio Martins Marques, português.

A celebração teve lugar na paróquia de Santa Cruz, confiada aos missionários combonianos, para onde confluíram os familiares dos professantes, membros de outros institutos religiosos, amigos dos combonianos e jovens da paróquia, que animaram a celebração com o canto e o serviço do altar.

Presidiu ao evento o superior provincial, P. Manuel António Bogaio Constantino, moçambicano."

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Faleceu o P.e Rogério de Sousa

"No dia 24 de junho, faleceu o missionário comboniano português P.e Rogério Artur de Sousa. Tinha 84 anos. Natural de Sargaçais, Aguiar da Beira. Hoje de manhã realizou-se a missa exequial no Seminário das Missões de Viseu. O funeral está marcado para hoje, às 15h00, em Souto de Aguiar.

O P.e Rogério foi o primeiro padre comboniano português. Depois de ter feito o seu noviciado e a Teologia em Itália, foi ordenado pelo bispo D. José da Cruz Moreira Pinto, na Igreja do Seminário das Missões, em Viseu a 27 de julho de 1958 (onze anos depois da chegada dos Combonianos a Portugal e à diocese viseense).

De 1960 foi destinado a Moçambique, onde ficou dois anos. Regressou a Portugal e fez parte da redação da revista Além-Mar em 1963 e 1964. Voltou a Moçambique em 1967 e permaneceu lá vinte anos, interrompidos apenas com a ordem de expulsão daquele país em 13 de abril de 1974, mas a que pôde voltar logo após a revolução do dia 25 desse mês. Regressado a Portugal, fez parte de várias comunidades combonianas no nosso país. Encontrava-se atualmente em Viseu.

Agradecemos a Deus pela vida do P.e Rogério, inteiramente dedicada à missão, e encomendámo-lo e a sua família à solidariedade da vossa oração."

Em nome da AAAC apresentamos sentidas condolências à família e enviamos um abraço de solidariedade ao Pe. José de Sousa.
A DIREÇÃO

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Pe. MANUEL AUGUSTO : A reconfiguração do Instituto à luz da nossa história

O P. Manuel Augusto Lopes Ferreira, comboniano português, apresentou o tema “A reconfiguração do Instituto à luz da nossa história” durante o Simpósio dos 150 anos da fundação do Instituto dos Missionários Combonianos, que se realizou de 26 de Maio a 1 de Junho, na Casa Generalícia, em Roma.

A reflexão, diz o P. Manuel Augusto, pretende fazer um percurso histórico, “para ver como o nosso percurso desde a fundação até hoje nos pode iluminar na tarefa da configuração que temos de fazer no presente”.

Para ver AQUI.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Dia da Família Comboniana em Portugal

"Foi no passado dia 10 de Junho, dia do Anjo de Portugal, que nos reunimos com vários membros das diversas realidades da Família Comboniana – Missionárias Seculares Combonianas, Irmãs Missionárias Combonianas e Missionários Combonianos – para, com muita alegria, celebrarmos pela primeira vez o «Dia da Família Comboniana». O evento decorreu em Óis da Ribeira (Fermentelos – Águeda) e éramos cerca de 50 missionários e missionárias."

domingo, 11 de junho de 2017

UM DEUS PLURAL E UMA IGREJA MONOLÍTICA? Frei Bento Domingues, O.P.

Um pouco difícil de enteder o alcance.......

1. Quando se pressentem consequências graves de desentendimentos entre pessoas belicosas, diz-se, à moda do Porto: vai cair o Carmo e a Trindade. Sobre a Trindade, muitos católicos já não sabem muito mais. O antigo mundo rural orientava-se pelo “toque das trindades”. O sino da Igreja paroquial tocava três vezes por dia: de manhã, ao meio-dia e ao fim da tarde. Tudo parava, os homens tiravam o boné, e rezava-se o “Anjo do Senhor”, seguido de uma “Avé Maria” e do “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”.

Quando se queria mostrar o cuidado da família com o desenvolvimento religioso da criança, pediam-lhe: “mostra que já sabes fazer o sinal da cruz”. Era um rosto marcado pela Trindade Santa.

Na catequese ou na teologia, ignorando os recursos evocativos da linguagem simbólica, repousava-se no mundo dos conceitos evanescentes. À falta de explicações satisfatórias, recorria-se a uma geometria rudimentar, ao triângulo ou ao trevo do campo.

As argutas definições dogmáticas dos séculos II, III e IV não se contentaram com a proclamação de Paulo em Atenas: é em Deus que vivemos, nos movemos e existimos[1].

Sim, Deus, mas que Deus? Foi preciso mostrar que era possível dizer que um só Deus vive misteriosamente em três pessoas distintas, iguais e diferentes: todas activas, inteligentes, amantes, em comunhão perfeita e sem qualquer subordinação! Era a vitória da máxima unidade na floração da máxima diversidade.

Por mais estranha que pareça, esta convicção talvez não seja nem absurda, nem inútil. Não poderá ela esconder a realidade mais profunda e misteriosa do mundo, da família, da sociedade, da política, da religião e da Igreja?

2. Em nome da unidade, sacrifica-se a diversidade e a imprevisível liberdade, resvalando-se para a falsa segurança da ditadura; perante as dificuldades de viver em liberdade, na diversidade, no pluralismo, pergunta-se: será possível conjugar governabilidade e democracia? Não serão os muros a recusa do acolhimento recíproco entre diversas identidades num mundo  que a todos compete respeitar, como casa comum?

A sabedoria aconselha a que não se deite para o caixote do lixo a afirmação trinitária de Deus que hoje é celebrada na Igreja Católica. É um alerta político, cultural e religioso, como sublinhou o filósofo Giorgio Agamben.

S. Paulo deu-lhe uma expressão quase narrativa: A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós[2]. Representa um belo sumário da teologia da unidade plural da Igreja, na comunhão e na diversidade dos seus carismas. Por desgraça, os rituais não conservam apenas as referências centrais de uma religião. Decaem, facilmente, em rotinas que adormecem as consciências em vez de as despertar para o que falta viver e fazer.

É legítimo perguntar: porque continuar a manter a vergonhosa separação entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente, invocando minudências linguísticas esquecendo que estamos todos a balbuciar o inabarcável mistério de Deus e do mundo? A verdade viva revela-se no caminho humilde da busca espiritual e não no orgulho de manter embalsamadas fórmulas e costumes em nome de ortodoxias vazias. Porque não deixar Deus ser Deus e o seu Espírito à solta no mundo?

A arrogância de todas as Igrejas, em nome da posse da verdade, acaba por afastá-las da alegria da comunhão na fé e na caridade, impedindo-as da escuta recíproca e da pergunta essencial: não poderei aprender nada com as outras comunidades cristãs, com as outras religiões, com as pessoas que buscam, por tantos caminhos, um sentido para a vida?

3. Estamos em 2017, a cinco séculos de distância do gesto de Martinho Lutero, ao colocar, a 31 de Outubro de 1517, as suas teses sobre o comércio de indulgências, na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg. De facto, o V Centenário da Reforma já foi inaugurado, na Alemanha, em 2008. É a Década de Lutero.

É, também, uma ocasião para os historiadores da cultura, da política e da teologia reexaminarem cinco séculos de história extremamente complexa e, talvez, colherem algumas lições para o nosso presente de renovados fanatismos políticos e religiosos.

Portugal não é a pátria de Lutero e os portugueses também não o puderam acolher no séc. XVI, nem com discernimento nem sem discernimento. Depois foram-no esquecendo.

 Para assinalar os quatrocentos e cinquenta anos da sua morte, o Centro de Estudos de Teologia/Ciência das Religiões, da Universidade Lusófona, marcou essa data com um importante Colóquio, cujos contributos já estão publicados. Tentei, no Prefácio, explicar as razões da ausência de Lutero entre nós[3].

O P. Carreira das Neves introduziu o seu importante Lutero. Palavra e Fé, com a pertinente observação: «O tema que vamos tratar tem sido objecto de milhares de livros, artigos e pronunciamentos religiosos, políticos, sociológicos, filosóficos. Só estranha o facto de nenhum autor português ter assumido, nestes quinhentos anos que nos separam de Lutero, a responsabilidade de escrever sobre esta pessoa que está na origem do protestantismo luterano e das igrejas evangélicas»[4].

O ausente de Portugal encontrou acolhimento, em português, mas no Brasil, onde já foram publicados 12 volumes das Obras Seleccionadas de Martinho Lutero[5].

O luterano Artur Villares pergunta: «Cinco séculos depois, com a poeira da História a assentar, e as polémicas, ódios e extremismos, definitivamente encerrados nas prateleiras da apologética de todos os participantes, o que significa, para o homem de hoje, o nome de Martinho Lutero? Para muitos nada; para outros tantos, um mero revoltado, um rebelde, que destruiu a unidade da Igreja do Ocidente; para outros ainda, uma figura histórica, de assinalável grandeza, um dos construtores do mundo moderno».

O Pe. Carreira das Neves também perguntou: «Lutero está ultrapassado?» E concluiu a sua obra com muita graça: «estamos todos ultrapassados se nos fixarmos nos redutos das nossas identidades religiosas, de ritualismos, jurisdicismos, dogmatismos, farisaísmos»[6].

11.06.2017



[1] Act 17, 22-29
[2] 2Cor 13, 13 e paralelos.
[3] Martinho Lutero. Diálogo e Modernidade, Prefácio de Frei Bento Domingues, Edições Universitárias Lusófonas, 1999.
[4] Lutero. Palavra e Fé, Presença, Lisboa, 2014, p.17, assinala que de obras estrangeiras, em Portugal, apareceu apenas a tradução do livro de Johannes Hessen, Lutero visto pelos Católicos, Coimbra, 1951, Ed. Arménio Amado; Lucien Febvre, Martinho Lutero. Um Destino, Ed. Bertrand, 1976; nova tradução do mesmo autor, da Ed. Texto, 2010. Cf. Walter Kasper, Martinho Lutero. Lido em chave ecuménica 500 anos depois, Paulinas, Lisboa, 2016.
[5] Responsabilidade da Comissão Interluterana de Literatura. São Leopoldo.
[6] Op. Cit., p. 459

segunda-feira, 5 de junho de 2017

O ESPÍRITO SOPRA ONDE QUER Frei Bento Domingues, O.P.

Muito revolucionário (e muito dúbio) este Frei Bento Domingues....


1. O Vaticano II, que foi o Pentecostes do século XX, tentou renovar, descentrar a Igreja e levar os cristãos a serem agentes da transformação da sociedade, segundo critérios de desenvolvimento, de liberdade, de justiça e de paz, em colaboração com todos os seres humanos preocupados em tornar melhor este nosso mundo. Foi a conclusão de muitos movimentos que o precederam, catalisados pela leitura que João XXIII fez dos sinais dos tempos.

Para as novas gerações isto pode parecer mais antigo do que o Antigo Testamento (AT). Se não tivermos em conta que a sensibilidade eclesial e social muda rapidamente, também não compreenderemos a urgência do Papa Francisco em reinterpretar o Vaticano II no mundo actual, muito diferente dos anos 60 do século passado.

Não podemos esquecer que o movimento cristão começou por se enxertar no mundo judaico, mas também na perspectiva de se enxertar em todos os povos e culturas.

É verdade que, nas suas primeiras manifestações, este movimento pensava que o fim estava para breve. Não valia a pena influenciar os destinos das sociedades humanas. Cada pessoa que esperasse o fim, segundo a situação em que se encontrava, casada ou solteira. Era mais importante salvar-se deste mundo do que salvar este mundo. S. Paulo, na primeira carta aos Tessalonicenses, preocupava-se mais em organizar o fim próximo do que em programar o futuro. Foi sol de pouca dura. Ele próprio, na segunda carta apercebeu-se que se tinha enganado e não tenta elaborar uma nova concepção. Opta por medidas pragmáticas: “ Quando estava entre vós já vos tinha dado a seguinte ordem: quem não quiser trabalhar, também não coma. Ora, ouvi dizer que alguns de entre vós levam a vida à toa, muito atarefados a não fazer nada. A estas pessoas, ordeno e exorto, no Senhor Jesus Cristo, que trabalhem na tranquilidade, para ganhar o pão com o próprio esforço.”[1]

Quando os Actos dos Apóstolos (Act) são escritos, o autor apresenta Jesus Cristo bastante decepcionado: “ Estando reunidos, os discípulos interrogaram-no: Senhor, é agora que ides restaurar a casa de Israel? Resposta: Não vos compete conhecer os tempos e os momentos que o Pai reservou em seu poder. Mas o Espírito Santo descerá sobre vós e dele recebereis força. Sereis, então minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra.[2]

S. Lucas era um artista em compor cenários dinâmicos. Era como se Jesus tivesse dito: Eu acabei, mas a tarefa não. Pelo contrário, alargou o horizonte, mas seria uma energia nova, o Espírito Santo, que levaria os discípulos a realizá-la.

2. No Domingo passado, celebramos uma despedida que o não era. Ocultou-se dos seus olhos numa nuvem. Foi a Festa da Ascensão. Interpretada em termos espaciais, poderia sugerir o que um miúdo me perguntou: foi visitar os extra terrestres?

Outros escritos do NT insistem em que Cristo, longe da nossa vista, continua connosco até ao fim dos tempos em toda a nossa vida, mas como um clandestino.

A habilidade de S. Lucas consiste em não querer discípulos pasmados a olhar para o céu, como se a sua missão não fosse a transformação da Terra. Representa, por isso, a diferença que existe entre a Igreja presa do medo e a Igreja sacudida, abalada pelo Espírito. “ Quando chegou o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído semelhante ao soprar de impetuoso vendaval e encheu toda a casa onde se encontravam. Apareceram umas como línguas de fogo, que se distribuíam e foram posar sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os impelia.”[3]

Havia uma festa judaica para celebrar o dom da Lei com gente piedosa que vinha de todas as nações. Confusão geral. Como é que cada pessoa ouvia falar aqueles galileus, na sua própria língua? Estão com os copos. Aí, Pedro, em nome do grupo não aguentou. Ainda não é hora para bebedeiras. Está a cumprir-se a profecia de Joel: “Acontecerá, nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne. Os vossos filhos e as vossas filhas hão-de profetizar, os vossos jovens terão visões e os vossos velhos hão-de ter sonhos. Em verdade sobre os meus servos e as minhas servas derramarei o meu Espírito.”[4]

3. Se, como vimos, os primeiros cristãos pensavam que o mundo estava a chegar ao fim, os Actos dizem-nos que está tudo a começar. Esta obra deveria chamar-se o Livro das Aventuras do Espírito Santo. Faz tudo às avessas do previsto no judaísmo. O próprio S. Pedro levou tempo a compreender a liberdade de Deus. Quando teve de justificar, perante os circuncisos, o seu comportamento de acolhimento dos gentios, confessa: “Apenas eu começara a falar o Espírito Santo caiu sobre eles, como sobre nós ao princípio. Lembrei-me, então desta palavra de Senhor: João, dizia ele, baptizou com água, mas vós sereis baptizados com o Espírito Santo. Se Deus lhes concedeu o mesmo dom que a nós, que acreditamos no Senhor Jesus Cristo, quem sou eu para me opor a Deus?”[5]

Os sarilhos vão ser mais que muitos e vai ser preciso reunir um Concílio, o primeiro da Igreja cristã, para reconhecer que o Espírito de Deus não faz acepção de pessoas, nem de povos, nem de culturas. É o Espírito da liberdade, do amor universal.

Não é para aqui a leitura de dois mil anos de história das Igrejas cristãs no mundo. No entanto, algo ficou testemunhado nos textos do NT. O caminho do poder de dominação económica, política e religiosa, foi o ambicionado pelos discípulos e sempre recusado pelo Mestre. Disse-lhes, expressamente: quem quiser ser o primeiro, ponha-se ao serviço de todos; aqui, reinar é servir. Isto significa que a Igreja não anda para traz quando se confronta com este espelho. O que o Espírito de Cristo lembra a todos os cristãos é simples: o nosso passado, o nosso presente e o nosso futuro só é garantido pela contínua criatividade.

Quiseram fazer do Vaticano e das suas Cúrias o lugar do depósito da Fé. Esta não é um depósito, é o caminho do mundo, como Evangelho da Alegria. É sintomático que o Papa Francisco surja, simultaneamente, com um programa de reforma da Cúria e com um programa de Igreja de saída, para todas as periferias. Talvez seja o mesmo.

Perante as novas experiências e expressões do Evangelho, Bergoglio poderá dizer como Pedro: estava eu no meio desses pobres e abandonados e o Espírito Santo caiu sobre eles como um novo Pentecostes. Quem sou eu para dizer que Deus é só para os que têm assento nos lugares de poder da Igreja?



[1] Cf. 2 Ts 3, 10-12
[2] Cf Act 1, 6-8
[3] Act 2, 1-4
[4] Act 4, 16-19
[5] Act 10-11

terça-feira, 30 de maio de 2017

O Papa Francisco saúda os Missionários Combonianos

“Saúdo os Missionários Combonianos que estão a comemorar os 150 anos de fundação”, disse o Papa Francisco, no domingo, 28 de Maio de 2017, dirigindo-se aos peregrinos, que se concentraram na Praça de São Pedro, para o Regina Caeli.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Maio 2017-à guisa de relatório

                                     
No dia 6 de maio de 2017, tal como previsto, de vários pontos do país e do mundo (de Paris, da Austrália…) houve gente a movimentar-se a caminho de Viseu. O ponto de encontro estava há muito marcado: O SEMINÁRIO DAS MISSÕES.

O dia estava solarengo e agradável. Daí que por volta das 10H30 já fosse possível iniciarmos a nossa reunião geral depois dos abraços do reencontro.

Cantou-se o hino da Associação e, terminado este, lembramos os ausentes que, por uma razão ou por outra, não puderam estar presentes, mas fizeram questão de enviar uma mensagem de amizade realçando a sua presença em espírito. Fizeram-se as apresentações por ano de entrada e em grupo. Foi giro rever os que celebravam 50 e 60 anos de entrada para o seminário! A alegria de reviver in loco esses tempos e junto dos colegas desse mesmo tempo! Muita emoção junta!...

Passadas algumas poucas informações e feitos os agradecimentos ao Superior da Casa por nos receber, ao Provincial por partilhar o dia connosco e aos colegas que colaboraram nos contactos – o Isidro de Aveiro, o Coelho de Barcelos e o Sebastião de Santarém – e ao Ir. Valentim que nos tem espicaçado, foi a vez do Ir. José Manuel nos falar das suas vivências em terras de missão. A todos nos surpreendeu, já no fim da sua exposição,  quando nos apresentou fotografias características de África ou das Américas, mas tiradas bem perto do centro de Lisboa – Camarate, a sua nova terra de missão. Os Combonianos são assim: encontram sempre “periferias” onde desenvolver o espírito de Comboni.

O Pe. José Vieira, Superior Provincial, fez-nos de seguida o ponto de situação da congregação em Portugal e das celebrações dos 70 anos da sua presença em Viseu, dos estudos sobre a reorganização do dispositivo em terras lusas e até a nível da Europa.

O Pe. Manuel Augusto fez-nos uma apresentação sumária do seu livro “ Uma História Singular” que concluíra para as comemorações dos 70 anos. Confesso-vos que o li com profunda emoção, pois que em cada capítulo me sentia também um protagonista da história e me interrogava com frequência – onde estava eu nesta altura?..Cada um de nós era capaz de a vários daqueles capítulos acrescentar alguns subcapítulos que tornariam a história ainda mais rica e personalizada. Acho que o autor poderia agora fazer aquilo que ele disse que gostaria de ter feito- um romance, onde essas muitas outras estórias teriam certamente cabimento. Bom, fiquei com a ideia de que o livro vai ser um sucesso comercial (pelo menos entre os antigos alunos) e que esse facto poderá ajudar o Pe. Manuel Augusto a decidir-se pelo desejado romance.

Alguns colegas apresentaram também o seu testemunho. O Fernando Paulo deu-nos conta do seu projecto para Moçambique onde tenciona estar brevemente; o Alberto Pais Teixeira disse-nos da alegria do reencontro depois de dois dias de viagem desde os confins da Austrália; o João Heitor –o nosso “adido” cultural em Paris – cujos filhos o surpreenderam com os bilhetes de avião para o obrigarem a sair da sua área de conforto e meter-se a caminho para fazer o que eles sabiam dar-lhe muita alegria.

A sessão terminou com o Olindo e o Américo a tentarem  pôr todas as vozes de acordo para a celebração da Eucaristia que foi presidida pelo Pe. Joaquim Pereira e concelebrada por todos os presentes (segundo os “novos” conceitos teológicos nos dizer do Pe. José Vieira).

Seguiu-se o almoço de confraternização regado com a “pomada” do Sebastião ( 14º) que alertou para a abundância do fornecimento de modo a não haver inibições.. O refeitório do famigerado “ óleo de fígado de bacalhau” estava  lotado. Já no fim do almoço o Pe. Zé de Sousa ainda tentou umas “Faleiradas”,mas a ausência do acordeão do Américo não permitiu que “ o comboio do vale do Vouga”entrasse nos carris. Depois…foi a descontracção nos “recreios” onde muitas estórias foram recordadas à sombra dos castanheiros que já morreram e testemunhadas pelos monumentais e seculares carvalhos; se falassem…eles próprios contariam romances sem fim…

Fotos tiradas, a jornada foi-se concluindo em amena cavaqueira aqui e ali.

Já perto do regresso ao norte, eu e o José Sá sentámo-nos com o Pe. Francisco Medeiros para fazermos a contabilidade do dia. Com os 1.640,00 euros recolhidos pela dupla José Sá e Lino Pinto, pagamos o almoço, constituímos uma Bolsa de Estudo, reservamos 100,00 € para o pagamento da quota anual (2017) da UASP e com o restante subsidiamos o desgaste e limpeza das instalações.

O nosso profundo agradecimento a toda a comunidade comboniana de Viseu que nos acolheu, ao Pe.António Ino pelas palavras que nos dirigiu antes de se afastar para colocar o seu coração em repouso.

Os nossos votos para que continuemos a manter vivo dentro de nós o espírito comboniano que animou a nossa adolescência e juventude e …para o ano haverá mais, se Deus quiser.



Trofa, 25 de Maio de 2017

 Pela Direcção

António Pinheiro

domingo, 7 de maio de 2017

ENCONTRO GERAL DE 2017

O nosso encontro geral em Viseu ( Maio de 2017) teve a participação de mais de 105 antigos alunos . Eis uma das fotos de grupo tirada pelo Isidro.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Combonianos celebram 70 anos de presença em Portugal

Os irmãos padres Sousa. O Pe. Rogério foi o 2º Comboniano português ordenado em 1959
A data oficial da chegada do primeiro missionário comboniano a Portugal é o dia 22 de abril de 1947. Neste dia, o P. Giovanni Cotta instalava-se em Viseu e, a partir dali, começou a lançar os alicerces de uma história que, hoje, conta já 70 anos.

Para celebrar esta efeméride, os combonianos portugueses organizaram uma semana de intensas actividades no Seminário das Missões, na cidade de Viseu, e em algumas escolas e paróquias da diocese de Viseu.

O P. Carlos Alberto Nunes, comboniano, narra-nos como decorreram as celebrações, nas quais, entre outras personalidades, participou também o P. Tesfaye Tadesse Gebresilasie, superior geral dos Missionários Combonianos. Veja as fotos aqui.



Uma semana de vida em Missão

Na semana de 24 a 30 de abril, nós, combonianos da província portuguesa, celebrámos os 70 anos da nossa presença, em Portugal. Para festejar este significativo evento da nossa história, organizámos várias actividades missionárias.

Distribuídos em várias equipas, formadas por combonianos, combonianas, seculares e leigos combonianos – como verdadeira Família Comboniana –, visitámos três escolas secundárias na cidade de Viseu, dois grupos de jovens paroquiais e vários lares de idosos. Organizámos encontros no Seminário das Missões para o clero diocesano, na manhã do dia 27, para os adultos e leigos empenhados missionariamente, na noite do dia 28, e para a juventude, no dia 29. O auge das comemorações teve lugar no domingo, dia 30, com a celebração solene da Eucaristia, presidida pelo D. Ilídio Pinto Leandro, bispo de Viseu, e concelebrada pelo P. Tesfaye Tadesse Gebresilasie, Padre Geral, entre outros combonianos e sacerdotes amigos. Para honrar a cerimónia, foram convidados numerosos benfeitores e amigos, e algumas individualidades, que vieram, em sinal de reconhecimento da obra comboniana, de entre as quais o Presidente da Câmara Municipal de Viseu, António Joaquim Almeida Henriques. A capela do seminário tornou-se demasiado pequena para acolher tanta gente.

Foi uma semana bela, cheia de entusiasmo e alegria que vivemos em celebração de Fé e missão. Houve boa participação dos alunos e professores nas escolas, nos encontros no Seminário e na celebração final de Domingo. O clima era de festa e alegria.

Notável foi o encontro da Juventude, no Sábado. Coordenado e organizado pela equipa Jovens em Missão (JIM) com a colaboração dos professores de Religião e Moral das escolas, distinguindo-se entre todos o professor Abel Dias.

Conseguiram-se reunir cerca de 400 jovens. A maioria deles são visitadores assíduos da comunidade de Taizé, que vivem e dão testemunho desse mesmo espírito, nas escolas e nas paróquias. Os outros estão ligados ao nosso movimento juvenil comboniano (JIM). O tema do encontro foi, por isso, uma combinação entre as espiritualidades de Taizé e do JIM. Anunciava-se chuva para esse dia. E o sol nasceu envergonhado, contudo brilhou todo o dia, como sinal de bênção de Deus para todos. Assim, com a ajuda do céu, foi uma grande festa juvenil, um dia histórico para o presente e o futuro do Seminário das Missões, fazendo lembrar os tempos em que estava a abarrotar de jovens seminaristas. Foi um dia de profecia, um dia de juventude e de alegria, um dia de esperança para a missão.

A semana foi também um tempo de colaboração e de bênção para toda a Família Comboniana. A chegada dos combonianos marcou o início de uma pequena história que, com o passar de 70 anos, se tornou grande. Basta ver que a Família missionária comboniana se faz presente em quase todas as regiões do País. Casas e actividades de Norte a Sul. Revistas, jornais e livros da editorial “Além-Mar” que chegam a todos. Uma Família comboniana que, embora não sendo perfeita, dá sinais de vida e de esperança missionária em território português. Claramente, o tempo dos Leigos em missão chegou também para nós em Portugal. O seu testemunho e trabalho são um desafio para todos e um chamamento à alegria, ao entusiasmo e à esperança.

Fonte: Comboni.org

terça-feira, 2 de maio de 2017

Mensagem do Superior Geral para os 70 anos dos Combonianos em Portugal

O Superior Geral dos Missionários Combonianos, P. Tesfaye Tadesse, deixou uma mensagem pelos 70 anos dos Combonianos em Portugal durante sua homilia numa missa realizada em Viseu.

“A celebração dos 70 anos de história comboniana, em Portugal, ajuda-nos a preservar a confiança no Senhor, que continua a incentivar-nos e a realizar coisas belas através da vida de cada um de nós e do nosso Instituto. Esperamos e rezamos para que o Senhor continue a suscitar novas vocações missionárias, na Igreja portuguesa, e continue a chamar jovens, homens e mulheres, para seguirem a Cristo, na esteira de São Daniel Comboni”, declarou o Superior Geral do Instituto.

A homilia também abriu espaço para muitos agradecimentos. Destacamos aqui o seguinte: “Obrigado pelos sinais particulares de vida e de compromisso ao longo de todos estes anos, tais como, por exemplo: a formação de tantos jovens nos seminários, no Postulantado e no Noviciado; a publicação das revistas Além-Mar e Audácia; a animação e a formação missionária de grupos de jovens - como o JIM (Jovens em missão); os Cenáculos de Oração Missionária; o empenho na pastoral paroquial, dando particular atenção aos mais vulneráveis e aos imigrantes, como é o caso, por exemplo, da nossa presença em Camarate; as atividades realizadas em colaboração com outros Institutos religiosos e missionários e com outras organizações civis e religiosas, empenhadas na promoção da justiça social e ambiental, da paz e da reconciliação, e do dialogo entre as diferentes culturas e religiões. Obrigado por estes e por todos os outros sinais que revelaram e revelam ainda o dinamismo e a criatividade do nosso trabalho, neste País de grande tradição missionária e de grandes missionários.

A celebração contou com a participação do Bispo de Viseu, Dom Ilídio Pinto Leandro, do Superior Provincial dos Missionários Combonianos em Portugal, P. José da Silva Vieira e de sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos, benfeitores, amigos e familiares dos confrades combonianos.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

VISEU - CELEBRAÇÃO DOS 70 ANOS

Das comemorações dos 70 anos em Viseu dos Missionários Combonianos dou algumas notas. A missa foi presidida pelo Bispo de Viseu, acolitada pelo Superior Geral, Ugandês de origem e vindo expressamente do Uganda e por outros missionários, nomeadamente António Ino, José de Sousa, Francisco Medeiros (superior de Viseu) e outros. Nela estiveram presentes individualidades de Viseu, nomeadamente o Presidente da Câmara, o Presidente da Assembleia Municipal, o Presidente da Junta e muitos amigos residentes na zona. No final o Presidente da Câmara ofereceu uma placa alusiva à entrada da Câmara Municipal, simbolizando a abertura desta entidade aos Missionários Combonianos. Destacou o facto de pretender apresentar numa próxima Assembleia Municipal uma proposta de atribuição da Medalha de Mérito aos Missionários Combonianos de Viseu, sendo a mesma entregue no dia do município de Viseu a ocorrer em setembro. Por sua vez o Padre Francisco Medeiros ofereceu à Câmara Municipal um exemplar do livro "Missionários Combonianos em Portugal, uma História Singular, editado já este ano e da autoria do nosso conhecido e estimado Padre Manuel Augusto Lopes Ferreira, Edições Além - Mar. O Superior Geral fez uma resenha histórica dos Combonianos. Segui-se um almoço com muitos convidados presentes. As duas primeiras fotos estão inseridas nos Linkes, https://novo.diocesedeviseu.pt/.../combonianos-70-anos.../ e https://novo.diocesedeviseu.pt/.../combonianos-70-anos.../ acompanhadas de um texto muito interessante e elucidativo de Valente da Cruz, ex-seminarista comboniano. Destaco finalmente um belo texto do padre Francisco Medeiros, Superior de Viseu. COMBONIANOS: 70 anos de presença em Viseu
É com gratidão a Deus e a tanta gente amiga com espírito missionário que celebrámos 70 anos de presença em Portugal. Tudo começou quando o Bispo de Viseu, nessa altura D. José Moreira Pinto, aceitou de braços abertos a vinda de Combonianos para a Diocese. O Instituto tinha sido convidado a ir evangelizar no Norte de Moçambique e a nossa diocese, em primeiro momento, serviria de apoio para os missionários estrangeiros aprenderem a língua, esperando naturalmente, que iriam aparecer também vocações missionárias.
Os Missionários Combonianos faziam um bom trabalho junto dos muçulma- nos e, como no Norte de Moçambique a maioria da população é muçulmana, os bispos moçambicanos pensaram pedir ajuda, o que conseguiram com a colaboração da Diocese de Viseu. A 23 de Abril de 1947, chegou a Viseu o P. João Cotta e, logo a seguir, vieram os padres Ângelo La Salandra, Ézio Sória, Rino Carlesi e os irmãos Elísio Locatelli, Igino Antoniazzi, Catarina Basso e outros que se estabeleceram nas paró- quias vizinhas da cidade, para aprender a língua e os costumes e iniciar a construção do Seminário das Missões.
Deste modo, a primeira metade da década de 1950 viu chegar ao nosso país os missionários de “pera e bigode” que protagonizaram a expansão comboniana em Portugal, Brasil e Moçambique. Muitos dos seus nomes ainda são recordados com respeito e admiração pelo clero e pelas gentes beirãs. Recordam os missionários a trabalhar nos andaimes, construindo o seminário ou a trabalhar na quinta e, mais ainda, quando iam pela aldeias pedindo ajudas ou despertando nos jovens a vocação missionária. Mais de 2000 jovens beirões fizeram parte dos seus estudos e educação no Seminário das Missões. E, entre estes, uns 50 depois de passarem por outros lugares a alargar a sua formação missionária. Alguns ainda estão em terras de missão, uns poucos já faleceram e alguns estão a descansar depois de uma vida dedicada ao anúncio de Cristo e a ajudar irmãos a ter uma vida mais digna e humana. O Instituto Comboniano faz também 150 anos de fundação. Seguimos o espírito de um homem, S. Daniel Comboni, que viu nos africanos seus Irmãos e Irmãs com o direito e a necessidade de conhecerem Cristo. Mal foi ordenado sacerdote começou a arrastar missionários e missionárias para a Africa, continente então muito desconhecido. O sonho dele foi educar e cristianizar africanos para eles serem os missionários de Cristo entre os seus povos. As missões ainda existem e chamam corações generosos para lhes levar Cristo, uma vida mais digna e humana, e a es- perança de um futuro melhor. A Família Com- boniana procura continuar a dar resposta ao apelo de tantos irmãos, como Cristo pediu aos seus seguidores: “Ide e fazei discípulos meus por toda a parte”. Muito em breve partirão aqui de Viseu duas jovens leigas missionárias para Africa e América do Sul.
Pe. Francisco Medeiros, mccj

(REPORTAGEM DO ANTIGO ALUNO COMBONIANO José Lázaro)

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Combonianos 70 anos em Portugal: Os primeiros passos

Estava em Viseu um só comboniano italiano, o Pe. João Cotta, desde 22 de Abril de 1947. Com a chegada, a 3 de Novembro daquele ano, de mais três sacerdotes, os combonianos formaram a primeira comunidade em Viseu. Eram todos padres: João Cotta, Ézio Imoli, Ângelo La Salandra e Rino Carlesi.

Dias depois, o bispo senhor Dom José da Cruz Moreira Pinto nomeou-os para trabalhar nas paróquias de Mangualde (P.e Ezio Imoli), Bodiosa (P.e Rino Carlesi) e Canas de Sabugosa (P.e Ângelo La Salandra).

O P. Rino Carlesi, que viria a ser bispo de Balsas, no Brasil, descreveu as primeiras ações apostólicas na diocese de Viseu: «Conheci e fiz amizade com todos os padres de Viseu e redondezas, por causa dos funerais, da pregação, das festas religiosas. Foi o começo da minha vida de cigano, de animação missionária nas paróquias. Depois o senhor bispo levou-me, como seu missionário, para pregar ao povo nas visitas pastorais. Fui pescador de vocações e pregador de missões.»

Em Janeiro de 1948 o grupo alugou uma casa em Viseu e começa a arranjar-se a casa do caseiro.

O segundo grupo de combonianos italianos (um sacerdote e dois Irmãos construtores) veio em Março de 1948.

Passaram pelo Seminário Menor de Fornos de Algodres. No diário da viagem deixaram a seguinte impressão: «Ajoelhámo-nos aos pés da imagem de S. José, no claustro interno do Seminário sentindo tantos motivos para agradecer; pensámos nos nossos futuros seminaristas e agradecemos a S. José por nos ter trazido a esta terra tão rica de vocações.»

A 14 de março, na igreja matriz da paróquia de Ranhados (à qual pertencia a quinta onde se instalaram os combonianos), a chegada deste grupo foi celebrada festivamente com uma eucaristia. Os Combonianos cedo se inseriam na sua comunidade paroquial.

A 1 de junho de 1948 foi lançada a primeira pedra da casa (hoje «casa velha»), com técnicas muito avançadas. O edifício está pronto a habitar em 28 de Junho de 1949. Menos de dois meses depois, a 14 de Agosto, é inaugurada a primeira capela.

Nessa altura, a 27 de Fevereiro de 1949, o P.e João Cotta, que fizera «milagres», com o grande apoio do Bispo de Viseu, D. José da Cruz Moreira Pinto, nos 22 meses em que nesta diocese permaneceu, de 23 de abril de 1947 a 27 de fevereiro de 1949, já havia partido para a Inglaterra.

Em Maio daquele ano, durante a Semana Nacional das Missões, são distribuídos pela diocese 250 cartazes que dão a conhecer o futuro Seminário das Missões e o Instituto Comboniano. Estavam decorridos dois anos cinco meses e dezassete dias depois da chegada do P. João Cotta a Viseu…

A 10 de Outubro daquele ano de 1949, e após uma semana de estágio em Setembro, iniciava-se o 1º ano letivo no Seminário das Missões com 16 alunos no primeiro ano e um no 5º ano, vindo do Seminário Diocesano.

Se no final de 1952 o Seminário atual já estava construído, só em 11 de Dezembro de 1955, ao terminar da nova Capela, foi considerado completo, oito anos sete meses e dezanove dias depois da chegada do primeiro comboniano a Viseu.

Os primeiros combonianos portugueses

Os primeiros sacerdotes combonianos portugueses, tinham passado pelo Seminário Diocesano.

O P. Rogério Artur de Sousa, natural de Sargaçais, Soito, Aguiar da Beira, que, depois de ter feito o seu noviciado e a teologia em Itália, foi ordenado pelo Senhor D. José da Cruz Moreira Pinto , na Igreja do Seminário das Missões em Viseu a 27 de Julho de 1958.

O P. Ramiro Loureira da Cruz, natural de Barbeita, Rio de Loba, Viseu, fez também o noviciado e teologia em Itália e foi ordenado sacerdote na Catedral de Milão pelo Cardeal Montini (futuro Beato Paulo VI) a 14 de Março de 1959.

O primeiro Irmão Missionário Comboniano Português foi o Irmão António Martins, natural de Cepões, Viseu, que fez a sua Profissão perpétua em VN de Famalicão a 9 de Setembro de 1960.

Ao longo destes 70 anos a diocese deu muitas vocações aos missionários combonianos.

Prof. Valente

domingo, 23 de abril de 2017

UMA HISTÓRIA SINGULAR - Apresentação

No próximo dia 4 de Maio vai ser apresentado em Lisboa,pelas 18.30, na sede da ALÉM-MAR, o livro da autoria do Pe. Manuel Augusto Lopes Ferreira sobre a história dos 70 anos da presença comboniana em Portugal com o sugestivo título " UMA HISTÓRIA SINGULAR".
Como bem se recordam, nós tivemos a dita de no encontro do ano passado ouvirmos um pouco do que nessa altura o Pe. Manuel Augusto já tinha escrito.
Nós fazemos parte dessa narrativa. Daí que seja um livro a termos connosco para ler e reler. O Pe. Manuel Augusto convida todos os que residem em Lisboa a estarem presentes no seu lançamento.
Não se esqueçam: dia 4 de Maio.
Trancrevo a carta onde o Pe. Manuel Augusto manifesta esse convite:

Estimado amigo Isidro,
Um abraço, com votos de feliz Páscoa e felicidades para si, sua esposa e família.
Venho pedir-lhe um favor.
No dia 4 de Maio, pelas 18.30, na sede da Além-Mar, vai ter lugar em Lisboa a apresentação do livro sobre a História dos Combonianos em Portugal (Combonianos em Portugal: Uma Historia Singular).
Eu gostaria de mandar um convite aos antigos alunos que vivem em Lisboa. Não poderia mandar-nos a lista dos AA residentes em Lisboa de que tenha os endereços email? Se for possível seria bom, senão paciência.
Desde já, o meu obrigado.
De novo, felicidades e até breve.
Pe Manuel Augusto